Justiça autoriza exumação de corpo enterrado por família errada após troca em hospital, em Goiânia
- Por: Carlos Peixoto

- 17 de ago. de 2020
- 2 min de leitura

Família de Paulo Benedetti, de 66 anos, enterrou corpo de outra pessoa por engano, em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Família do idoso enterrado por engano tenta marcar a exumação após obter a liminar. O corpo que não foi enterrado será transferido para o Instituto Médico Legal até que o sepultamento possa ser realizado.
Uma liminar concedida pela Justiça de Goiás nesta segunda-feira (17) autorizou a exumação de um corpo enterrado pela família errada no fim de semana, em Goiânia. Dois idosos morreram na semana passada na Maternidade Célia Câmara em decorrência de complicações causadas pelo coronavírus.
O erro foi avisado aos parentes no sábado (15). Após a troca, Jamir da Silva, de 71 anos, foi enterrado pela família de Paulo Benedetti, de 66 anos, e a família de Jamir não realizou o sepultamento. A troca não foi percebida porque o enterro aconteceu com o caixão fechado, conforme o protocolo sanitário para estes casos. Para desfazer a confusão, a família de Jamir da Silva conseguiu uma liminar para realizar a exumação e depois fazer o enterro de forma correta. A advogada da família informou que tenta agendar o processo de retirada do corpo, que deve ser acompanhado pela Polícia Técnico-Científica, responsável por fazer a identificação. Já o corpo de Paulo foi transferido da maternidade Célia Câmara para o Instituto Médico Legal, onde vai ficar até que possa ser enterrado pela família. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso.
A liminar concedida pela juíza Jussara Cristina Oliveira Louza determina a retirada do corpo de Jamir da Silva para que seja enterrado Paulo Benedetti no túmulo da família.
"Assim, a fim de amenizar a dor dos familiares, entendo de todo conveniente determinar a exumação do corpo sepultado no Jardim das Palmeiras, a fim de que seja entregue à sua família para a realização de sepultamento digno. Ademais, caso tal medida não seja tomada com urgência poderá ser inviabilizada em razão do processo de decomposição do corpo", escreveu a magistrada na decisão.
Sirlene Benedetti, esposa de Paulo, contou que recebeu uma ligação da maternidade às 8h de sábado com o comunicado que o corpo havia sido trocado.
“Entrei em pânico. Além de estar passando por essa Covid-19, que é inacreditável. Agora acontece uma coisa dessa, um homem de 66 anos não ter paz após a morte. É muito difícil para nós", lamenta Sirlene Benedetti.

Corpo de Jamir da Silva, de 71 anos, foi enterrado por engano por outra família, em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
A Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas, responsável pela gestão do Hospital Maternidade Célia Câmara, esclarece que como procedimento padrão, após o devido reconhecimento do corpo, tanto o familiar quanto o agente funerário assinam um documento afirmando que retiraram o corpo com a identificação correta. A maternidade, no entanto, abriu uma sindicância para apurar o caso.
A funerária disse em nota que não teve culpa pela troca dos corpos e que em mais de 20 anos de atuação, a empresa jamais esteve envolvida em outro caso como este. A nota afirma que não cabe à funerária especular o que aconteceu e que a retirada de corpos de qualquer hospital obedece a protocolos de segurança.
Por Rafael Oliveira, G1 GO



























